Tuesday, January 25, 2011

Eu protesto!

É um absurdo que a mulher ainda precise fazer cara de mau para ser respeitada no trabalho.
Este final de semana, uma amiga querida esteve em casa e me contou sobre sua rotina no set de filmagem, desde que se tornou diretora. Eu, apesar de não ter me surpreendido tanto, faço questão de pontuar. Em protesto!
Antes de tudo uma breve introdução: conheço essa amiga há quase dez anos. E, pelo que lembro, desde então, ela trabalhava como assistente de direção. No ano passado, ela conseguiu, depois de muita luta, apesar de seu talento, conquistar o cargo de diretora. Se ela fosse homem, digo sem medo de errar e apoiada em estatísticas, ela teria chegado lá antes.
Bom, ela me contou que, numa filmagem, ela se dirigiu à sua equipe e passou as instruções para que a cena pudesse ser gravada. Ninguém prestou a atenção. A cena de caos, típica dos sets, continuou como se ela fosse invisível. Como se paredes de vidro - aqui uma humilde referência ao "teto de vidro", metáfora que explica a dificuldade da mulher de ascender profissionalmente - abafasse as sua palavras.
Passada, ela pediu para que o diretor - homem - que dividia o cargo com ela, desse as mesmas ordens, no mesmo tom de voz. O efeito foi o oposto. Como num passe de mágica, toda a equipe parou para ouvi-lo, se organizou e a cena pôde ser rodada. Senti muito por ela, e por todas nós também.
Minha amiga é doce. É educada. É mulherzinha. Mas também é talentosa, competente, forte. Acontece que ela, assim como eu, não quer se transformar num homem de saias, que fala grosso para se fazer ouvir. Assim como as feministas do chamado pós-feminismo, acreditamos que o primeiro passo foi conquistar espaço no mercado, e que o segundo, é aumentar esse contingente e ascender profissionalmente, sendo mulheres, mulherzinhas, com todos os nossos defeitos e qualidades. Os homens que me desculpem e tenham paciência, mas queremos poder ficar irritadas e chorosas alguns dias do mês, porque isso faz parte da nossa biologia e temos esse direito. Queremos ser mãezonas e tratar a nossa equipe com afeto. Queremos poder levar os nossos filhos febris no médico num dia normal de trabalho. Tudo isso, entre outros comportamentos e necessidades tipicamente femininos. Minha amiga está, sim, conquistando o seu espaço. Mas, tudo isso exige demais.
O nosso desafio é esse: chegar lá, apesar de mulheres e como mulheres. Bora?  

3 comments:

  1. Claudia,

    Muito verdadeiro o post e curioso observar que no primeiro parágrafo você usou a expressão "cara de mau", no masculino, e não "cara de má". Ato falho ou intencional? hehe
    Mas acho que é isso mesmo. Nenhuma mulher deveria ter de se "masculinizar" para ser respeitada no trabalho.

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  2. Oi Cláudia!

    Conheci seu blog através do 3xtrinta e estou adorando! Concordo demais com esse texto. Nós, mulheres, temos que encontrar nosso espaço no mercado de trabalho pelas nossas qualidades femininas e não por tentar imitar os homens.
    Eu tenho 27 anos e sou engenheira, gerente de uma equipe de 130 homens! Não é fácil, mas com jeito vou levando eles...
    Estou na fase de tentar conciliar trabalho, marido, vida social e filhos, que pretendo ter em breve...

    Abraços

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