Monday, April 25, 2011

A paz é o começo


(A video-instalação)



(E a ilha-coração. Porque revê-la faz bem pro: coração!)    

Nesse feriado de Páscoa, fui à mostra "6 bilhões de outros", do fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand, no Masp. O Arthus-Bertrand é o mesmo do livro e documentário "A Terra Vista do Céu", da imagem da ilha em formato de coração.
Ele fez 5.300 entrevistas em todo o mundo, dos confins do Afeganistão, ao interior da África, passando pelo Brasil, sobre questões do cotidiano, sentimentais e existenciais - daquelas que parecem bobas mas são as que realmente importam nessa vida. Ele também questiona sobre questões ambientais - sobre as transformações que cada um notou no planeta (é, como se pode imaginar, worry).
A entrevista tem 40 perguntas. Entre elas: "Qual é a sua lembrança mais antiga?", "Qual seu sonho de infância?" e "Qual o seu sonho hoje?".
Ao percorrer os corredores do Masp, ouve-se relatos íntimos, profundos, leves, pesados. Ouve-se muitas gargalhadas, é claro. Mas, vê-se muitas lágrimas, angústias, tristezas com esse mundo que vivemos. A maioria dos relatos fala de guerra. Gente que viveu em locais marcados por conflitos, gente que ainda vive, gente que teme viver, gente cujos antepassados viveram. Tive a impressão de que o ser humano em geral é um sujeito que sofre demais. Claro que pelos atos de outros seres humanos ou de si mesmos. Mas, a principal voz, dentre essas 6 bilhões de vozes, pedia desesperadamente por PAZ. É verdade, viver em PAZ é o básico. Afinal de que vale ter saúde se não há paz? De que vale ter um emprego bom, um casamento feliz e filhos saudáveis se não há paz? Melhor: é possível ter coisas assim sem ter paz? Como ser feliz com o fantasma da morte à espreita?
Me marcou muito o relato de um homem árabe simples, um paquistanês, se não me engano. Uma das perguntas é "que mensagem gostaria de deixar?". Ele diz que todos os homens fazem parte da mesma família, que cada dedo das mãos representa um continente e que devíamos nos tratar como tal. Ele tem tanta razão. Achei simples, mas genial. Apesar de burro, interesseiro e até mesquinho, o homem também sabe ser genial.

* Em tempo:
A video-expo não chega a ser o melhor passeio para as crianças. Mas ainda assim vale a pena - afinal, é uma ode à diversidade. É uma oportunidade e tanto para mostrar a elas que, apesar de diferentes, somos todos iguais. É divertido e colorido ver o estilo, as roupas típicas, os adereços exóticos de cada povo. Tive a estranha sensação de que a globalização ainda não percorreu os 360 graus do globo. Que bom!

No comments:

Post a Comment